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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Isso não será um escrito de agradecimentos. 
Isso será uma coisa que um dia, no futuro, desejarei mastigar, digerir e esquecer. mas hoje não. 
escrevo hoje porque a vida parece ter exaurido toda nossa proximidade 
todas as possibilidades de nos olharmos com olhos vulneráveis.
sinto que meu interior está escuro como sangue coagulado e hoje me despeço (pela terceira e sincera vez) 
sem nenhuma expectativa de encontro. 
me despeço da parte sua que estava em mim.

.

(nós nunca perdemos as contas). 

domingo, 2 de julho de 2017

resumo de mim

corpo de pele nova macia cor de pouco sol
e cabeça toda bagunçada de coisas acumuladas, não resolvidas, vincos antigos 
uma falta de prática na vida
ter se acostumado com os cantos (não de músicas, mas de paredes) 
saudade do mar que se retorce o ano todo
não ter preferidos nem ser a preferida de ninguém
uma identificação excruciante 
vez por mês morrer de dor e sangrar pela vagina (um sangue grosso e vermelho escuro, tão escuro, cor de substância que se criou dentro de alguém) 
só dormir tarde 
escrever coisas que ficarão semiescondidas 
as vezes ser fraca como bolha de sabão, fraca como um homem, frágil, sol de inverno, promessas de adolescência, frágil frágil, filhote de pássaro, medo, fraca
as vezes ser forte como uma onda de maré alta e lua cheia 
saber que o futuro ainda é grande.